segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Internet desafia homem e Igreja, diz papa

Pontífice diz que ambos precisam aprender a linguagem virtual para divulgar mensagem religiosa

 (AFP)
Em discurso ao Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais nesta segunda-feira, o papa Bento XVI chamou a atenção para o que considera "riscos" no uso da internet. O pontífice fez referências à exposição da privacidade, à superficialidade das relações e à difusão de opiniões que contrariam a verdade.
As novas tecnologias estão mudando o modo de o homem se comunicar, disse o papa. Consequentemente, a cultura digital criaria desafios à capacidade da Igreja de expressar sua mensagem. "A fé sempre penetra, enriquece, exalta e estimula a cultura. Por isso, é preciso escutar a linguagem dos homens de nosso tempo para acompanhar a obra de Deus no mundo", disse.
Ele lembrou que Jesus, no anúncio do Evangelho, utilizou elementos da cultura de seu tempo. Por isso, ele incentivou os cristãos a descobrir na cultura digital os símbolos e metáforas que possam ser úteis para falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.
Aos jovens, o pontífice fez um apelo especial: que façam "bom uso" das redes sociais. Ele sugere que essas ferramentas não sejam instrumento para reduzir as pessoas a estereótipos, manipular o homem emotivamente ou permitir aos poderosos manipular as opiniões dos demais.
Bento XVI tratou do tema em antecipação ao 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2011, que será comemorado em 5 de junho. Ele pretende reforçar a mensagem de que a internet não pode substituir o contato direto entre as pessoas e que as novas tecnologias precisam estar a serviço de toda a humanidade.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

http://www.madureirajoinville.com.br/

Grandes Momentos

"Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos
alegres"
(Salmos 126:3).

"Quando os mais importantes momentos estão acontecendo, nós
até não os reconhecemos ou notamos. Nós estamos distraídos,
vivendo nossas vidas. Apenas quando eles passam é que
percebemos que grandes momentos passaram por nossas vidas."
(Federico Fellini - Diretor de cinema)

A palavra do diretor cinematográfico, citada em nossa
ilustração, nada tem a ver com a vida espiritual. Mas, quero
aproveitar a citação para refletir um pouco sobre nosso
relacionamento com Deus. Quantas oportunidades de grandes
realizações e de inimagináveis bênçãos perdemos simplesmente
porque nossos olhos espirituais estão fechados ou fixados em
outras direções.

Muitas vezes oramos intensamente pedindo uma bênção a Deus,
mas, não esperamos Sua resposta. Vivemos tão ocupados em
busca de sucesso, notoriedade, prosperidade e outras
conquistas materiais, que a nossa bênção fica ali, à nossa
disposição, e não a enxergamos. Seguimos em frente,
murmuramos, queixamo-nos por Deus não nos atender, e, depois
de um certo tempo de frustrações, verificamos que Deus havia
dado, sim, o que pedimos, e nós, por indiferença espiritual,
a perdemos.

Grandes coisas o Senhor sempre faz por nós. Porém, o
complemento do versículo deste Salmo só será realidade em
nossa vida se a colocarmos no altar de Deus. A alegria só
será verdadeira se os nossos olhos espirituais estiverem
sempre voltados para as coisas celestiais.

Os grandes momentos proporcionados por Deus a cada um de
Seus filhos devem ser vividos intensamente e no instante em
que acontecem. De nada adianta reconhecê-los depois que já
tiverem passado. Em vez da alegria de vivenciá-los,
experimentaremos a tristeza pela decepção de não os ter
aproveitado.

Deus tem grandes momentos para você. Momentos de real
felicidade. Não os perca.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Palestra–A Nova Reforma Protestante–Os Novos Evangélicos

ricardo-alexandre Palestra com o jornalista Ricardo Alexandre (revista Época)
Ricardo Alexandre nasceu em Jundiaí em 1974, escreve profissionalmente desde 1993. Foi repórter do jornal O Estado de São Paulo, redator-chefe da revista Bizz, editor do portal Usina do Som, editor-chefe da revista Monet e desde 2008 é diretor de redação da revista Época São Paulo. Seu livro mais recente, Nem vem que não tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonalfoi eleito pela Câmara Brasileira do Livro como uma das 10 melhores biografias do ano no 52oPrêmio Jabuti. Já escreveu para veículos como Superinteressante, Folha de S.Paulo, Trip,Carta Capital e Época, entre outros.  CAPA_escolhida_thumb[1]
Palestra com o repórter Ricardo Alexandre  autor da reportagem “A Nova Reforma Protestante”, capa da revista Época de 09/08/2010
Palestra  “ESTAMOS PREPARANDO NOSSAS IGREJAS PARA O MUNDO DE HOJE OU DE ONTEM?”
Depois de nove meses de entrevistas, pesquisas e trabalho de reportagem, o jornalista Ricardo Alexandre (diretor de redação da revista Época São Paulo) publicou a matéria “A Nova Reforma Protestante” como capa da segunda maior publicação do Brasil, a Época – mais de 400 mil exemplares vendidos semanalmente –, um texto sobre novas tendências da igreja evangélica no país, inspiradas no cristianismo primitivo, conectadas à internet e definitivamente diferentes dos “evangélicos” que figuram nas páginas policiais dos jornais.
Esta Palestra foi ministrada no dia 29/10/2010 (Sexta-feira) às 8h na Igreja Batista Central de Campinas
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A IGREJA DE JESUS PRECISA DE UMA NOVA REFORMA!

CAPA_escolhida
Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira
0,,42920776,00 A nova reforma Protestante (1)
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.
Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.
0,,42920803,00 A nova reforma Protestante (1)
SÍMBOLO O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com a Bíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia
0,,42921495,00 A nova reforma Protestante (1)
Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”
Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”
Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”
Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”
ricardo A nova reforma Protestante (2)

“É lisonjeador saber que nos consideram ‘pensadores’. Mas o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade” RICARDO AGRESTE, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas, São Paulo
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”
No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.
uchoa A nova reforma Protestante (2)
“O que importa é buscar a essência do cristianismo, que acabou diluída porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas” MIGUEL UCHÔA, pastor anglicano (à esquerda na foto, ao lado do bispo Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife)
“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”
Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”
Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostaisveio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.
Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.
kivitz A nova reforma Protestante (2)
“As pessoas não querem mais dogmas, elas querem autenticidade. Minha postura é, juntos, buscarmos algumas respostas satisfatórias a nossas inquietações” ED RENÉ KIVITZ, pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo
O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”
A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”
Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.
Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.
O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”
A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”
Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”
O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.
Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a idéia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.
A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.
ravara A nova reforma Protestante (3)
“O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar. É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia” VALTER RAVARA, “ecocapelão”, criador do Instituto Gênesis 1.28 e da Bíblia verde
A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembléia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.protesto A nova reforma Protestante (3)
DA WEB ÀS RUAS – Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer
O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”
A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.
 

Aprofundando a “Nova Reforma Protestante”

Retirei do site http://www.causapropria.com.br  do autor da matéria Ricardo Alexandre
cruz
Semana passada eu colaborei com a revista Época, edição nacional, com a reportagem de capa “A nova reforma protestante”. Foram nove meses para apurar, escrever, pautar fotos e editar sob condições de trabalho que raramente temos nessa profissão. Em termos de repercussão e alcance, talvez seja o trabalho mais importantes nos meus 17 anos de carreira. E também o que envolveu a maior quantidade de sentimentos e convicções pessoais e profissionais.
Evidentemente, apesar do espaço ocupado (nove páginas), a reportagem era só uma introdução a um tema sem fim, a saber: há uma movimentação entre igrejas e movimentos evangélicos que dialoga com o público mais esclarecido leitor da Época e que não só não se parece com o tipo de “gospel” que ele vê nas páginas policiais como o rechaça tanto quanto o nosso leitor. Que esse movimento, no fundo, é mais uma tentativa de recuperar a “igreja” a qual Jesus Cristo se referia em Mateus 16:18, daí o título – “nova reforma protestante”, sem pretensões de cunhar nenhum termo realmente. Para quem ainda não leu a reportagem, o link oficial é este aqui, mas um monte de gente reproduziu o texto na íntegra, como o Pavablog (Parte 1,Parte 2 e Parte 3).
Fiquei muito feliz e grato a Deus pela forma com que o espírito da reportagem foi bem compreendido. A própria página de comentários do site da Época se transformou em palco de discussões muito lúcidas e inteligentes. Confira aqui.
E achei muito bacana que o texto tenha dado origem a discussões importantes em outros fóruns. Abaixo, peço licença para fazer uma pequena lista dos que mais me chamaram a atenção:

» Augustus Nicodemus Lopes, a quem respeito e admiro enormemente, usou da reportagem para aprofundar a discussão sobre o liberalismo teológico em seu blog O Tempora! O Mores!

» Paulo Siqueira, do site As Pedras Clamam, fez uma excelente prospecção do texto à luz do pentecostalismo. Ele toca em um ponto para o qual eu nunca havia atentado: a falta de uma teologia pentecostal. Seu texto está aqui.
» Quem se interessa por design e jornalismo, eu recomendaria este post do blog Faz Caber explicando como a capa da revista foi concebida.

» Um das críticas mais comuns feitos pelos irmãos pentecostais é que eu teria pegado pesado demais em definir a visão neopentecostal do dízimo. No texto, eu disse que o discurso de igrejas adeptas da teologia da prosperidade é que a fidelidade do crente é usada pelo fiel na esperança de constranger Deus a resolver seus problemas pessoais. “Ninguém pode constranger a Deus!”, várias pessoas me escreveram dizendo. Bem, não fui eu quem disse isso, foi o Edir Macedo. Veja com seus próprios olhos: “Se nós fizermos nossa parte num pacto com Deus, passamos a ter o direito de cobrar dEle Suas Promessas. E Ele, por sua vez, fica obrigado a cumprir a parte dEle.”

» O bispo anglicano dom Robinson Cavalcanti escreveu uma carta muito interessante dizendo-se “deslocado” do contexto da reportagem. Ele tem razão: a versão original do texto, muito maior, tinha outras aspas do bispo em contextos mais adequados, como o papel da igreja protestante na política brasileira. Na edição final, ele acabou entrando em um contexto que pode sugerir que ele, que não tem nada a ver com todo aquele papo de “desinstitucionalização” estivesse contrariando seus princípios. Ele escreveu um comunicado no site da sua Diocese e nós o publicamos na última seção de Cartas da revista.

» Evidentemente, como bem notou o Caio Fábio, o texto não defende em nenhum momento o fim das denominações tradicionais ou a destruição das igrejas instituídas. Minha intenção era mostrar que alguns movimentos mais alternativos estão, pela primeira vez, sendo analisados com seriedade pelas igrejas históricas e muitas de suas lições estão sendo debatidas e, eventualmente, assimiladas. O pastor Miguel Uchoa, também da Diocese do Recife da Igreja Anglicana publicou um post muito interessante e equilibrado sobre isso.

» Bem, e falando em Caio Fábio, no vídeo abaixo, o pastor diz que a reportagem não tem nada de novo e mostra “todo o seu carinho” aos pastores entrevistados por mim. Você pode tirar suas próprias conclusões, mas não pode deixar comentários na página do Youtube:
» No dia seguinte, ele postou novo vídeo, talvez para se fazer entender melhor. Chamou todo mundo de “bundão” outra vez:

» Por último, gostaria de fazer um esclarecimento e uma correção. O esclarecimento é que, ao contrário do que o Caio sugere, eu não congrego em nenhuma das comunidades citadas na reportagem e nunca havia sequer conversado com nenhum dos pastores antes de começar a reportagem. Muito menos recebi a pauta por encomenda. Foi uma idéia minha que eu apresentei à Época no final do ano passado e que assumi com a condição de não ter data para entregar – e a própria pauta mudou algumas vezes durante a apuração, como deve ser durante um trabalho de apuração honesto. Desculpe se isso soa arrogante, mas eu jamais faria um trabalho nas condições de isenção e ética discutíveis como as que o reverendo sugere.

» A correção que eu gostaria de fazer já foi publicada na edição 639 que está nas bancas, mas vale aprofundar aqui: há um erro de informação histórica naquele quadro “Redenção e rupturas” que tenta explicar graficamente a história e os principais grupos cristãos. Fui frustrado na tentativa de sintetizar a frase original, que falava da conversão de Constantino e da oficialização do cristianismo como religião oficial do Império Romano, feita por Teodósio em 380 dC. O que Constantino fez, convertido ao cristianismo do jeito dele, foi garantir a liberdade religiosa e revogar o culto imperial como religião oficial. Evidentemente, ele lançou as bases de prática cristã que seriam oficializadas algumas décadas depois, mas a informação editada estava mesmo errada. Fui cortando e cortando até caber no lay-out e o texto ficou com o nome de um e a data do outro. Milhões de perdões e obrigado pelas dezenas de pessoas que escreveram notando o vacilo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

De Mãos Abertas

"e tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o
Pai seja glorificado no Filho"
 (João 14:13).

Uma lenda fala de um reino antigo cujo soberano acabara de
morrer. Embaixadores foram enviados para escolher, entre
duas crianças gêmeas, um sucessor. Eles encontraram os dois
companheiros profundamente adormecidos e concordaram, ao
olhar cuidadosamente para ambos, que a decisão seria muito
difícil. De repente, eles notaram uma curiosa diferença
entre as duas crianças. A primeira estava deitada com os
punhos cerrados e a outra com as mãos completamente abertas.
Imediatamente eles fizeram sua escolha pela segunda criança.
A lenda termina com o registro: ao se tornar adulto o
soberano ficou conhecido como "o rei com as mãos abertas".

Nós podemos dizer o mesmo do Senhor, o Rei dos reis: Ele
está sempre de mãos abertas, pronto para nos dar a bênção de
que necessitamos. Ele está sempre de braços abertos, pronto
a nos abraçar depois de uma grande vitória, a nos consolar
diante dos fracassos, a nos levantar quando as forças nos
abandonam.

Quando o desemprego nos atinge e o dinheiro nos falta, Ele
está sempre de mãos abertas para suprir todas as nossas
necessidades. Quando as nossas esperanças desaparecem e
temos vontade de desistir de tudo, Ele está de mãos abertas
para acariciar nossas cabeças e nos incentivar a perseverar,
nos lembrando que somos mais que vencedores.

Podemos pedir o que quisermos ao Senhor -- Ele está de
braços e mãos abertas para nos atender. E o nosso primeiro
pedido a Ele deve ser sabedoria, para que saibamos o que e
quando pedir as demais coisas. Em tudo o Seu nome deve ser
glorificado.

O nosso Deus está de mãos abertas para abençoar sua vida. E
você, está também de mãos e braços abertos para servi-lo,
com alegria no coração?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Big brother Brasil

bbb Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...
A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira.
Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela a banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos.
Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos ?heróis?, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais.
O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um ?zoológico humano
divertido?. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que,
faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre
a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde,
professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados...
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e
conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de trá$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez
um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha
aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um
amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
UM ABISMO CHAMA OUTRO!!!
PENA QUE ESTA MATÉRIA NÃO TERÁ A DIVULGAÇÃO QUE MERECE.
Autor: Luiz Fernando Veríssimo

domingo, 20 de fevereiro de 2011

SERMÃO PARA O FINAL DE SEMANA


A cor do seu coração  Mt. 5:8

Introdução: Os ensinamentos de Jesus eram sempre destinados ao coração das pessoas. A religião de Jesus exige pureza de coração. Qualquer fé ou filosofia que se afasta da pureza não é de Deus. Jesus quer mudar os nossos corações e mentes. Porque a cor do coração de alguém é tão importante?
I. O coração impuro causa a cegueira espiritual.
A. O pecado cega para a realidade do que é bom e belo.
1. Você já conheceu a alegria de dar de si, para ajudar outra pessoa?
2. Alguma vez você sentiu a satisfação de saber que você tem sido uma boa testemunha de Cristo e sentiu que sua vida tem significado e propósito real?
3. Alguma vez você já sentiu a liberdade e a paz de confiar em Cristo para suprir as necessidades?

B. Um coração escurecido impede de ver os horrores do pecado.
1. O que faz uma pessoa sentir ódio e malícia para com outra pessoa?
2. O que permite que uma pessoa engane e roube os outros com um sentimento de alegria e satisfação?
3. O que permite uma pessoa violar, molestar ou abusar de outros sem remorso?
4. O que permite que "o povo de Deus" não tenha a preocupação com a vida dos outros - física, bem como as necessidades espirituais?
5. A resposta é o PECADO. O pecado cega para o que é bom, certo e belo. Ele entorpece e escurece.

II. Um coração puro nos permite ter uma visão preciosa - Deus!
O que significa isso? A pessoa com um coração puro...
A. Vai ver Deus na natureza - a beleza do mundo que nos rodeia.
B. Vai ver Deus nas Escrituras - o véu é levantado pelo Espírito de Deus e vê Deus em cada página.
C. Vai ver Deus em Sua Igreja - o coração impuro vê pouco bem entre o povo de Deus, mas os puros veem Deus trabalhando, apesar das falhas do povo de Deus. "Deve ser lembrado que cada homem vê o que está de acordo com a sua própria natureza”
D. Um coração a perceber algo de verdadeiro no caráter de Deus - a Sua bondade, misericórdia, santidade, amor. Ele aprecia os Seus atributos e compreende seu caráter.
E. Tem acesso à comunhão de Deus - lhe é concedido uma audiência com o rei a qualquer momento!
F. Um dia veremos Deus face a face no céu!

III. Um coração puro só pode vir através do conhecimento de Cristo Redentor.
A. É necessário conhecer Jesus Cristo pessoalmente, porque ninguém tem um coração puro!
B. Conhecer Jesus pessoalmente não vem através de uma cerimônia ou ritual ou "boas obras" que resulta em transformação do coração.
C. Ele é realizado pelo Espírito de Deus quando nós confiamos em Jesus Cristo. Se você crê em seu coração que Jesus morreu pelos seus pecados, ressuscitou dos mortos e que Ele lhe oferece a vida eterna através do arrependimento e do perdão dos pecados, seu coração será transformado hoje! Ele irá permitir que você o veja como Ele realmente é!
Conclusão: É o seu coração hoje puro e limpo através do sangue de Cristo? Deixe Jesus lhe dar um coração puro através de Seu poder hoje!


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Teologo anuncia o “fim das denominações”

Teologo anuncia o “fim das denominações” Estamos sendo testemunhas da morte das denominações cristãs nos EUA? Questionou-se recentemente Russel D. Moore, decano do Seminário Teológico Batista do Sul em Lousiville.

Um artigo recente do jornal Wall Street Journal, Moore assegurou que, de acordo com estudos realizados por organizações cristãs e seculares, o fim das denominações está próximo!
Moore disse que cada vez menos Cristãos norte-americanos se identificam com uma denominação religiosa em particular, como os metodistas, batistas, presbiterianos e pentecostais e assegurou que cada vez mais os Cristãos escolhem uma Igreja não por pertencer a uma denominação concreta, senão baseando-se em questões mais práticas.
É fácil de encontrar o centro? Gosto eu da música? Existem grupos de apoio para aqueles que lutam com vícios? São alguns dos critérios enunciados.
Segundo Dean, esta tendência é uma extensão natural da experiência evangélica americana. Após a Segunda Guerra Mundial, a nova geração de evangélicos enfrentou as congregações que consideravam que lhes faltava vida espiritual. O povo pertencia a uma Igreja, mas parecia que dentro do templo que teve uma experiência que marcou sua vida.
Segundo a Pesquisa da Religião na Universidade de Baylor, as Igrejas não denominacionais representam hoje o segundo maior grupo dentro da faixa que compõem as Igrejas protestantes americanas e são também as que mais crescem.
Moore acredita que os reformadores querem voltar ao básico, para recuperar a centralidade de um relacionamento pessoal com Jesus, cumprindo o tema sempre presente no púlpito evangélico: “Ser membro de uma Igreja não faz de você um Cristão, da mesma forma que viver em uma garagem não faz de você um carro.”

"Então formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem tornou-se alma vivente." Gn 2:7
As Escrituras ensinam (Gn 1:26-27; 5:1; 9:6; 1Co 11:7; Tg 3:9) que Deus fez o homem e a mulher à sua própria imagem, assim de que os seres humanos são semelhantes a Deus, como nenhuma outra criatura terrena é. A dignidade especial dos seres humanos está no fato de, como homens e mulheres, poderem refletir e reproduzir – dentro da sua própria condição de criaturas – os santos caminhos de Deus. Os seres humanos foram criados com esse propósito e, num sentido, somos verdadeiros seres humanos na medida em que cumprimos esse propósito.
O que tudo envolve essa imagem de Deus na humanidade não está especificado em Gn 1:26-27, mas o contexto da passagem nos ajuda a defini-lo. O texto de Gn 1:1-25 descreve Deus como sendo pessoal, racional (dotado de inteligência e vontade), criativo, governando o mundo que criou, um ser moralmente admirável (pois tudo o que criou é bom). Assim, a imagem de Deus refletirá essas qualidades. Os versículos 28-30 mostram Deus abençoando os seres humanos que acabara de criar, conferindo-lhes o poder de governar a criação, como seus representantes e delegados. A capacidade humana para comunicar-se e relacionar-se tanto com Deus como com outros seres humanos aparece como outra faceta desta imagem.
Por isso, a imagem de Deus na humanidade, que surgiu no ato criador de Deus, consiste em:
(a) Existência do homem como uma alma ou espírito (Gn 2:7), isto é, como ser pessoal e autoconsciente, com capacidade semelhante a de Deus para conhecer, pensar e agir;
(b) Ser uma criatura moralmente correta – qualidade perdida na queda, porém agora progressivamente restaurada em Cristo (Ef 4:24; Cl 3:10);
(c) Domínio sobre o meio ambiente;
(d) Ser o corpo humano o meio através do qual experimentamos a realidade, nos expressamos e exercemos domínio;
(e) Na capacidade que Deus nos deu para usufruir a vida eterna
A queda deformou a imagem de Deus não só em Adão e Eva, mas em todos os seus descendentes, ou seja, em toda a raça humana. Estruturalmente, conservamos essa imagem no sentido de permanecermos seres humanos, mão não funcionalmente, por sermos agora escravos do pecado, incapazes de usar nossos poderes para espelhar a santidade de Deus. A regeneração começa em nossa vida o processo de restauração da imagem moral de Deus. Porém enquanto não formos inteiramente santificados e glorificados, não podemos refletir, de modo perfeito, a imagem de Deus em nossos pensamentos e ações – como fomos criados para fazer e como o Filho de Deus encarnado refletiu na sua humanidade (Jo 4:34; 5:30; 6:38; 8:29-46)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O ATO DA PREGAÇÃO

Pregação e Pregadores Amados leitores – Pregadores e ouvintes da Palavra de Deus:
Vejam a seguir um pequeno trecho do livro clássico do Dr. Martyn Lloyd-Jones sobre o ato da pregação da Palavra de Deus, Pregação e Pregadores. Em poucas palavras somos confrontados com a solenidade, importância, serieadade e grandeza do ato de pregar as insondáveis riquezas da Palavra do Deus vivo. Uma mensagem urgente para pregadores e ouvintes da Palavra hoje – principalmente para aqueles que se entediam ao ouvir a Palavra e, pior, os que pregam a Palavra de forma tediosa e aborrecida. Não há muito que eu possa dizer e comentar. Ouçamos Lloyd-Jones:
Tiago Santos
A Pregação é a teologia em chamas! É a lógica pegando fogo!
D. Martyn Lloyd-Jones
Lloyd-Jones O que está acontecendo? O pregador está falando aos ouvintes da parte de Deus e a respeito dEle, está falando sobre a condição dos ouvintes — o estado da sua alma. Está lhes dizendo que, por natureza, estão sob a ira de Deus — são “filhos da ira, como também os demais” — e que o caráter de seu viver é ofensivo a Deus, está sob o juízo dEle. O pregador está advertindo-os sobre a temível possibilidade eterna que os aguarda. De alguma maneira, o pregador, entre todos os homens, deve estar consciente da natureza fugaz da vida neste mundo. Os homens mundanos vivem tão imersos em seus negócios e atividades, em seus prazeres e toda a sua ostentação, que a única coisa sobre a qual eles nunca param para considerar é o caráter passageiro da vida. Tudo isso enfatiza que o pregador sempre deve criar e comunicar a impressão da seriedade daquilo que está acontecendo no momento em que ele aparece no púlpito. Você deve lembrar as famosas palavras de Richard Baxter:
Preguei como se não tivesse certeza de que pregaria novamente, como um homem moribundo para moribundos.
Creio que esta declaração não pode ser melhorada. Você também recorda o que se disse a respeito do piedoso Robert Murray McCheyne, da Escócia, no século XIX. Afirma-se que, ao subir ao púlpito, antes mesmo de haver proferido uma única palavra, o povo começava a chorar em silêncio. Por quê? Por causa deste elemento da seriedade. A própria contemplação daquele homem dava a impressão de que ele viera da presença de Deus e de que lhes transmitiria uma mensagem da parte de Deus. Isso é o que exercia tão extraordinário efeito sobre os ouvintes, antes mesmo de McCheyne abrir a boca. Esquecemos este elemento ao nosso risco e a grande custo para os ouvintes.
Apresento agora algo cujo propósito é corrigir (ou talvez não tanto corrigir, e sim salvaguardar) toda incompreensão daquilo que venho afirmando. Refiro-me ao elemento da “vivacidade”. Isto ressalta o fato que a seriedade não significa solenidade, nem tristeza, nem morbidez. Todas estas coisas são distinções importantes. O pregador deve mostrar-se vívido; e é possível mostrar-se vívido e sério ao mesmo tempo.
Permita-me expressar isto em outras palavras. O pregador jamais deve ser monótono, nunca deve ser enfadonho; ele nunca deve ser o que se chama de “cansativo”. Estou enfatizando estas particularidades por causa de algo que já me disseram muitas vezes e que me preocupa em grande medida. Pertenço à tradição Reformada e, talvez, tenha contribuído algo, na Inglaterra, para a restauração desta ênfase, nos últimos quarenta anos. Portanto, sinto-me perturbado quando membros de igrejas me dizem, com frequência, que muitos dos pregadores reformados mais jovens são homens excelentes, que lêem muito e são eruditos, mas são homens bastante monótonos e enfadonhos; e isso me tem sido dito por pessoas que seguem a tradição Reformada. Para mim isso é muito sério; existe algo radicalmente errado em pregadores monótonos e enfadonhos. Como pode ser monótono um homem que trata desses assuntos? Quero dizer que um “pregador monótono” é uma contradição; se ele  é monótono, não é um pregador. Pode subir a um púlpito e falar, mas certamente não é um pregador. Ante o grandioso tema e mensagem da Bíblia, a monotonia se torna impossível. Este é o assunto mais interessante, mais emocionante e mais envolvente que há no universo. E a idéia de que isto pode ser apresentado de maneira enfadonha me faz duvidar seriamente que os homens culpados desta monotonia compreenderam a doutrina que estão defendendo e na qual afirmam crer. Com freqüência, somos traídos por nossa conduta.